Conheça o biriguiense responsável pela tradução e legenda do filme mais assistido da Netflix com 236 milhões de visualizações

O filme “KPop Demon Hunters”, que estreou no fim de junho, se tornou o mais visto da história da Netflix. A animação musical já alcançou 236 milhões de visualizações. Mas, para isso, foi necessário furar algumas barreiras culturais, como a da linguagem. A animação musical, que tem muito da cultura coreana, foi dublado e também legendado para o Brasil.

Você já se perguntou como é feito e quem realiza o trabalho de legendar um filme? No caso de “KPop Demon Hunters”, o responsável pelas legendas em português do Brasil é de Birigui, interior de São Paulo: o tradutor audiovisual Matheus Maggi Waltrick, de 30 anos.

Boy band de vilões do filme ‘KPop Demon Hunters’ — Foto: Reprodução/Netflix

Em entrevista ao g1, Matheus contou que sua trajetória na área começou muito antes do momento de legendar o filme de sucesso mundial. O início foi lá em 2013, com a produção de fansubs – legendas voluntárias feitas por fãs.

“Eu sempre gostei muito de assistir a séries dubladas desde pequeno e, conforme fui ficando mais velho, passei a consumir muitos materiais legendados. Então, sempre ficava tentando associar as palavras da legenda ao que eu estava ouvindo. Então, decidi me juntar a alguns grupos para fazer legendas de séries que eu gostava e, ao mesmo tempo, ir treinando meu inglês”, explica.

Créditos das legendas do filme ‘KPop Demon Hunters’, feitas por Matheus Maggi, de 30 anos, de Birigui (SP) — Foto: Reprodução/Netflix

Com isso, Matheus começou a frequentar grupos onlines nos quais o trabalho de legendar era muito mais do que só trocar o inglês pelo português. Foi por meio destes grupos que ele aprendeu a usar softwares específicos para fazer o trabalho.

Em determinado momento, o tradutor passou a cursar engenharia civil, mas fazia as traduções em paralelo ao curso, concluído em 2017. Matheus lembra que o momento após a formatura foi um dos mais complicados.

“Eu não conseguia achar emprego na minha área de formação, mas uma amiga viu que haviam aberto alguns testes em agências de legendagem. Então, decidimos tentar. Passamos, e o resto é história”, continua.

Matheus conta que, mesmo após conseguir o trabalho na agência, continuou se profissionalizando para conseguir transformar o seu sonho em realidade.

“O ponto de virada foi justamente quando recebi meu primeiro projeto profissional para legendar em 2018, após anos fazendo voluntariamente e sonhando com esse momento. Quando o projeto foi lançado na plataforma de streaming e eu vi meu nome nos créditos, a sensação foi inexplicável: um misto de missão cumprida com empolgação”, relata.

No começo da carreira, ele fazia mais traduções de mídias que já haviam sido lançadas em outras plataformas e que estavam vindo para o Brasil novamente, mas, a partir de determinado momento, isso mudou: chegaram os projetos exclusivos.

Entre alguns dos trabalhos já legendados por Matheus estão: “How I Met Your Mother” e “How I Met Your Father”, “Prison Break”, “American Horror Stories”, “Cavaleiros do Zodíaco” e o arco atual de “One Piece”.

“Sinto que fui crescendo a cada projeto e levando em conta cada feedback dos revisores. A parte mais surreal para mim é que o filme ‘Guerreiras do K-Pop’ saiu do streaming e vai para os cinemas no fim do mês, e esse vai ser meu primeiro projeto nas telonas do Brasil”, reforça.

Pouco reconhecimento

Apesar de essencial para o consumo de mídias que vêm de fora do país, Matheus afirma que o trabalho do tradutor não é muito reconhecido.

“Quando alguém de fora vê o nosso trabalho e vem nos dizer algo, é uma sensação ótima, já que a gente trabalha nos bastidores, um pouco isolado e em silêncio. E não é só vaidade, é o sentimento de ver um trabalho minucioso, que exige tanto cuidado e dedicação, sendo notado pelo público, mesmo que nosso nome apareça só nos últimos segundos do vídeo”, comenta.

Existem casos nos quais os responsáveis por esse trabalho de legendar não chegam nem a ser creditados, pois o padrão varia de acordo com a agência ou plataforma.

Créditos de legenda em um dos episódios da série ‘The Expanse’, que foi feita por Matheus Maggi, de Birigui (SP) — Foto: Reprodução/Netflix

“Houve uma melhora nesse aspecto nos últimos anos. Ainda bem. Quando recebemos os créditos, é uma forma bonita de valorizar um trabalho que costuma ser invisível e que é essencial para que o público possa se conectar com histórias do mundo inteiro.”

Os créditos em um filme podem ser simples, mas refletem um trabalho importante e que, para Matheus, mostram que há pessoas reais por trás de cada detalhe que faz aquela experiência acontecer. “Assim como a fotografia, o figurino ou a trilha sonora, a tradução e a legendagem também fazem parte da narrativa”, completou.

Posts Relacionados

  • All Post
  • Agronegócio
  • Birigui
  • Cidades
  • Clima
  • Comunicação
  • Economia
  • Educação
  • Entretenimento
  • Esportes
  • História
  • Justiça
  • Mundo
  • País
  • Polícia
  • Política
  • Saúde
  • Sem Categoria
  • Tecnologia
    •   Back
    • Araçatuba
    • São José do Rio Preto
    • Presidente Prudente
    • Coroados
    • Glicério
    • Lins
    • Andradina
    • Buritama
    • Brejo Alegre
    • Penápolis
    •   Back
    • Astronomia
    •   Back
    • Ciências
    •   Back
    • Cultura
    •   Back
    • Justiça

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga-nos

Notícias Populares

Trending Posts

Categorias

Tags

Edit Template

Adicione o texto do seu título aqui

Atalhos do Site

Categorias

Tags