A Jornada Nacional de Inovação da Indústria se aproxima do fim do ano com perspectivas positivas. Iniciado em julho de 2025, o movimento já percorreu cidades das regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Até o primeiro semestre de 2026, ainda estão previstos encontros em municípios do Norte e do Sudeste.
A iniciativa é desenvolvida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Segundo o superintendente de Projetos de Inovação da CNI, Carlos Bork, a Jornada tem garantido contato direto com os empreendimentos de cada região, permitindo resultados mais assertivos. Para ele, trata-se de um mecanismo relevante para o desenvolvimento empresarial do país.
“Em cada um dos estados identificamos coisas fantásticas, desde o levantamento da bionatureza dos recifes até o desenvolvimento de processos para terras raras. Nesse contato com os ecossistemas de inovação, vemos que as oportunidades estão aí – basta atacarmos os grandes desafios”, destaca.
“E o que ainda não for levantado pode se tornar um desafio a ser superado, com propostas da CNI, do Congresso, do Senado e do governo para políticas que incentivem nossas empresas a serem mais criativas, competitivas e eficientes”, complementa.
No Sul do Brasil, a caravana iniciou por São Leopoldo (RS) e percorreu municípios como Porto Alegre (RS), Caxias do Sul (RS) e Passo Fundo (RS). Em Santa Catarina, esteve em Criciúma (SC), Joinville (SC) e Chapecó (SC); no Paraná, em Curitiba (PR) e Londrina (PR).
No dia 2 de outubro, especialistas, empresários e autoridades dos três estados se reuniram em Florianópolis (SC) para fazer um balanço da passagem do projeto pela região. A ideia era levantar as principais oportunidades e desafios das empresas em torno das transições ecológica e digital.
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Foram elencados dez temas de relevância e observadas quantas vezes cada um se destacou percentualmente.
Para três temas importantes (incentivo a ações sustentáveis, colaboração entre universidade, indústria e governo; e fortalecimento de gestão e políticas públicas), houve consensos acerca de superá-los, no sentido de alavancar incentivos e aprimorar políticas de inovação. O resultado obtido foi o seguinte:
Entre as empresas que foram destaque na Jornada, em meio ao circuito no Rio Grande do Sul, está a Globus Eletronics. Com sede em São Leopoldo, a companhia é líder em controladores para veículos de grande porte e soluções inteligentes para o mercado automotivo B2B.
A empresa conta com uma base de mais de 2,2 mil clientes em 45 países, mas o principal mercado está concentrado na América do Norte. As tecnologias da Globus têm aplicações para veículos comerciais, aeronaves, barcos, vans, ônibus, caminhões, motorhomes, trens, ambulâncias, veículos de resgate, militares e máquinas agrícolas e de construção.
No Centro-Oeste brasileiro, a Jornada passou pelas quatro unidades da federação. Em Mato Grosso, as apresentações foram feitas em cidades como Sinop (MT) e Cuiabá (MT). Em Goiás, a caravana passou por Rio Verde (GO), Anápolis (GO) e Goiânia (GO). Já em Mato Grosso Sul, o evento foi realizado em Campo Grande (MS). Brasília (DF) também recebeu o movimento.
De acordo com a CNI, boa parte do potencial inovador da região está ligado à agroindústria. Para se ter uma ideia, até 2027, o setor deve criar 207 mil empregos, com destaque para segmentos como agritechs, biotechs e nanotechs.
Entre 1996 e 2022, o Centro-Oeste registrou um salto de 173% no Valor de Transformação Industrial (VTI) – a maior taxa do país – impulsionado pela modernização da agricultura e pecuária.
A programação do Centro-Oeste também revelou casos de sucesso na região, como o da Nutribras Alimentos – empresa mato-grossense que começou com a suinocultura, mas evoluiu para a produção agrícola, frigorífica e geração de energia.
A partir de 2011, implantou um ciclo autossustentável de produção, incluindo biodigestores para tratamento de dejetos e geração de biogás.
Hoje, a empresa tem mais de 1,7 mil funcionários, abate 600 mil animais ao ano e exporta 10% de sua produção para América do Sul, Ásia e Leste Europeu. Também reutiliza biofertilizantes e iniciou a produção de biometano para uso veicular – incluindo o primeiro caminhão a biometano da suinocultura. O desafio atual é converter toda a produção de biogás (30 mil m³/dia) em combustível sustentável.
O Centro-Oeste também conta com desafios que, ao fim da etapa regional da Jornada, foram divididos em cinco temáticas:
O resultado mostrou equilíbrio em relação às oportunidades:
A Jornada também revelou as potencialidades do Nordeste nas transições ecológica e digital. Segundo a CNI, a região concentra 93% da capacidade eólica e 20% da capacidade solar instalada do Brasil.
O potencial eólico offshore é estimado em 700 GW, equivalente a 3,6 vezes a capacidade instalada do país.
A caravana também mostrou que o Nordeste se destaca no cenário nacional em outras áreas estratégicas:
Entre as empresas da região que se destacaram na Jornada está a Microciclo, deep tech fundada em agosto de 2019, em Natal (RN), voltada para a área de biotecnologia. A missão da companhia, é ajudar as indústrias a terem um tratamento mais sustentável para os resíduos oleosos, como explica a CEO da empresa, Carolina Minnicelli.
Segundo Carolina, iniciativas como a Jornada contribuem para o fortalecimento do empreendedorismo, pois ajudam a identificar os principais desafios e como superá-los.
“A visibilidade que esse tipo de evento gera para nossa empresa é muito importante. Mas, mais importante são os contatos que a gente faz, as conexões que a gente faz. Tomamos conhecimento dos nossos parceiros locais e nacionais, compartilhamos dificuldades e desafios que a gente vive, e possíveis soluções. Eventos como esse são essenciais para fomentar o empreendedorismo e a inovação”, avalia.
Para reduzir a carga de óleo, a empresa usa biorremediadores, que são produtos compostos por bactérias não patogênicas e degradadoras de frações do petróleo. A solução é mais econômica e ambientalmente responsável para tratamento direto dos efluentes, como também reduz a dependência de transporte dos resíduos para descarte.
A história da Microciclo começou com uma equipe multidisciplinar do laboratório de Biologia Molecular e Genômica (LBMG) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte que, por 15 anos, esteve dedicada a desenvolver novas técnicas de genética ambiental, microbiologia de petróleo, biologia molecular, bioquímica e bioinformática.
Ao longo de seis anos, a companhia conquistou oito programas de aceleração/editais, R$ 800 mil de investimento e quatro prêmios, sendo três internacionais. Além disso, a empresa validou a solução com 15 diferentes tipos de resíduos.
No Nordeste, os eventos da Jornada foram realizados nas cidades baianas de Vitória da Conquista (BA) e Salvador (BA). No Piauí, a programação ocorreu em Teresina (PI) e Parnaíba (PI). No Maranhão, a caravana passou por São Luís (MA), enquanto no Rio Grande do Norte e na Paraíba, passou por Natal (RN) e João Pessoa (PB), respectivamente. Outras duas cidades que contaram com o movimento foram Aracaju (SE) e Recife (PE).
Após a passagem da Jornada por todas as regiões do país, os organizadores vão apresentar o resultado do trabalho no 11º Congresso de Inovação da Indústria, previsto para março de 2026, em São Paulo.
“A expectativa é que consigamos trabalhar projetos estruturantes a partir dos insumos que saíram da Jornada por estados e regiões e deixar um legado real da Jornada. Além dos aprendizados e conexões, teremos uma plataforma digital que vai reunir soluções, desafios e oportunidades identificadas ao longo do percurso”, projeta a analista de desenvolvimento industrial da CNI, Marilene Castro.
O objetivo da Jornada é promover a articulação do ecossistema de inovação em torno dos temas inteligência artificial, economia circular, transição energética e deep techs.
Fonte: Brasil 61
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