A investigação é uma das práticas cotidianas do jornalismo. Para que haja um bom jornalismo, é necessário checar as informações, dados e afirmações. E a investigação está também presente em grandes reportagens, constituindo até mesmo um gênero: jornalismo investigativo. É o jornalismo especializado em desvendar o que está oculto da sociedade e que é de interesse público, como esquemas de corrupção, fraudes, mas também injustiças e violações de direitos humanos.
Grandes reportagens e de longo período de apuração parecem ir na contramão de um ritmo cada vez mais acelerado, de uma enxurrada de informações rápidas e de vídeos curtos para prender a atenção do público. Mas, para o jornalista Bruno Fonseca, esse jornalismo vale a pena e se conecta com as necessidades da sociedade.
Bruno é chefe de redação da Agência Pública, uma agência de notícias sem fins lucrativos. Seus conteúdos podem ser reproduzidos desde que citada a fonte. A Pública foi fundada por repórteres mulheres em 2011. E produz grandes reportagens investigativas.
“É claro, o jornalismo tem que se preocupar com a audiência. O jornalismo precisa ser lido. Mas ser lido é diferente de buscar clique e page views a todo e qualquer custo.”
Um dos diferenciais da agência pública é que, junto com as reportagens, ela disponibiliza os materiais que usou como fonte e explica em detalhes quais foram os dados usados. Esta é uma maneira de detalhar o trabalho jornalístico e também de fazer educação mediática.
Já a jornalista Ariene Susui, indígena do povo Wapichana, em Roraima, conta que seu trabalho está voltado para as questões indígenas, pois são muitos assuntos que precisam ser reportados.
“Nós temos a questão da saúde, nós temos a questão da educação, nós temos a questão do território. Nós estamos falando de mais de 300 povos no Brasil, povos distintos, línguas. … Enfim, são tantas questões que envolvem esse ambiente que eu não tenho tempo para ir para outras pautas, assim. Não porque eu não queira, não porque não consigo falar sobre, mas é que essa pauta, especificamente, é uma pauta muito grande e muito cara também, porque a gente está falando de uma das pautas que tem um dos embates políticos, um dos embates do Congresso Nacional mais duros, né, que nós acompanhamos desde a história, desde a época da colonização.”
Fazer jornalismo investigativo na Amazônia tem algumas especificidades. A logística é muito mais complexa que a de grandes cidades, por exemplo. Ainda mais quando se tratam de territórios indígenas. Às vezes, são dias de viagem de barco para acessar determinado território. Quando não consegue ir presencialmente, a Ariene busca as fontes de forma remota, pelo WhatsApp. Mas também não é simples. Às vezes, uma troca de áudios demora uma semana, por conta da qualidade da internet. Outra dificuldade é a língua. Para se ter ideia, segundo o Instituto Socioambiental, são mais de 160 línguas e dialetos no Brasil.
Tanto para Ariene, quanto para Bruno, o papel do jornalista é trazer à tona o que está escondido, aquilo que está prejudicando grupos de pessoas, que está desrespeitando as leis e os direitos humanos e que, por interesses, acaba sendo mantido. Para eles, o papel do jornalista é contribuir para a sociedade. E também, contar histórias.
Este é o podcast Dizem as Fontes, uma parceria entre a Radioagência Nacional e a Agência Brasil. Este projeto começou na academia, fruto do mestrado profissional de Mariana Tokarnia, na área de mídias criativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.
Acompanhe também outras produções da Radioagência Nacional, como os 50 anos do Hip Hop e Transformando as Artes. Todos os capítulos estão disponíveis nos tocadores de áudio e no site da Radioagência Nacional, um serviço público de mídia da EBC. No penúltimo episódio, trazemos relatos da mídia pela mídia.
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