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“Enforquem os comunistas”; Massacre em Odessa completa 12 anos sem punições

 Em 2 de maio de 2014, 48 manifestantes contrários ao Euromaidan morreram durante o Massacre de Odessa, na Ucrânia. A maior parte das vítimas estava na Casa dos Sindicatos, prédio que sediava o Partido Comunista, entidades sindicais e movimentos sociais. O local foi cercado e incendiado após um confronto com grupos de extrema-direita.

Imagens gravadas na época mostram a dimenssão do massacre. Vídeo: reprodução.

Euromaidan

O Euromaidan foi a série de protestos iniciada em Kiev no fim de 2013, depois que o então presidente Viktor Yanukovich, historicamente alinhado à Rússia, suspendeu as negociações do Acordo de Associação com a União Europeia. Com apoio de setores do governo dos Estados Unidos, as manifestações ganharam força e escalaram em violência. Organizações paramilitares de inspiração neonazista passaram a atacar prédios públicos e a confrontar apoiadores de Yanukovich, integrantes de movimentos sociais e militantes de esquerda.

Neonazistas participaram do massacre em Odessa.

Em resposta à deposição de Yanukovich em fevereiro de 2014, grupos contrários ao Euromaidan foram às ruas. O movimento teve adesão significativa na Crimeia e no leste do país, regiões com laços políticos e culturais mais próximos da Rússia.

O massacre

Em 2 de maio daquele ano, uma marcha anti-Euromaidan em Odessa foi atacada por militantes de extrema-direita, incluindo grupos abertamente fascistas. Encurraladas, dezenas de pessoas se refugiaram na Casa dos Sindicatos. Cerca de mil pessoas cercaram o edifício com tiros e coquetéis molotov. O incêndio se alastrou rapidamente. Segundo relatos e registros em vídeo, o ataque foi liderado pela milícia paramilitar Pravyy Sektor, com apoio de torcedores organizados do clube Chernomorets.

O saldo foi de 48 mortos: 39 pessoas morreram asfixiadas ou carbonizadas dentro do prédio; três morreram ao pular das janelas para escapar do fogo; seis foram espancadas até a morte nas ruas. Entre as vítimas estava Vadim Papura, militante comunista de 17 anos.

Cenas do ataque à sede dos sindicatos em Odessa por gangues de extrema-direita. Foto: reprodução

Imagens da época mostram manifestantes pró-Euromaidan com suásticas e insígnias fascistas, portando bastões, escudos e correntes. Testemunhas relatam que sobreviventes que saltavam do prédio eram cercados e agredidos. A polícia acompanhou a ação sem intervir, e o Corpo de Bombeiros levou mais de 40 minutos para chegar ao local.

48 pessoas morreram queimadas vivas em um prédio sindical na cidade de Odessa, no sul da Ucrânia. Foto: reprodução.

Nas redes sociais, apoiadores do Euromaidan comemoraram o episódio. “Os besouros-da-batata estão sendo assados em Odessa”, escreveram usuários no Twitter. A expressão fazia referência às fitas de São Jorge, símbolo usado por parte dos manifestantes pró-Rússia.

“Nosso objetivo é limpar completamente Odessa dos pró-russos”, declarou Dmitry Rogovsky, um dos líderes do Pravyy Sektor à época. Apesar da ampla documentação em vídeo e foto, nenhum dos agressores foi responsabilizado pelas autoridades ucranianas.

Em 2025, a Ucrânia foi condenada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pela falta de investigação efetiva sobre o massacre e pela omissão no socorro às vítimas

Bruno Berger

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