Esportes

Atual campeão e favorito, Brasil mira o hepta na Copa do Mundo de Futebol de Areia

Renan Tolentino, em Paris

Em busca do heptacampeonato! Assim chega o Brasil para a Copa do Mundo de Futebol de Areia, disputada neste mês de maio, no arquipélago das ilhas Seychelles, na costa leste da África. Apontada como uma das favoritas, a seleção chegou com a moral lá em cima, já que venceu a última edição do torneio, no ano passado.

O Brasil estreou no torneio na sexta (2) com o pé direito, vencendo El Salvador por 3 a 1. Para tentar conquistar a sétima estrela, o Brasil manteve a base campeã em 2024, em Dubai, com oito atletas entre os 12 convocados pelo técnico Marco Octavio. Mas conta também com o retorno de alguns nomes experientes, como o pivô Lucão, autor de um gol na estreia, vencedor do mundial com a seleção em 2017. O jogador reconhece o favoritismo da equipe, mas afasta qualquer tipo de pressão.

“A preparação foi uma das melhores que eu já tive oportunidade de participar. A CBF deu condições plenas para a gente durante 20 dias se preparar no Rio, em Copacabana. Tenho certeza que vamos fazer um belo Mundial”, disse Lucão à RFI. Para o pivô, chegar nas Seychelles como favoritos é natural e não acrescenta pressão ao grupo. “Eu acho que esse torneio vai ser muito importante para gente continuar essa caminhada”, aponta Lucão, destacando que os jogadores estão tranquilos.

O Mundial de Futebol de Areia começou na última quinta-feira, 1° de maio, e vai até o próximo domingo, dia 11, em Vitória, capital de Seychelles. Ao todo, 16 equipes disputam a competição, divididas em quatro chaves. O Brasil está no grupo D, ao lado de El Salvador, Omã e Itália, que foi vice-campeã em 2024, perdendo a final justamente para a seleção brasileira.

“É um grupo bem forte. A Itália chegou à final no ano passado, em 2024, contra o Brasil. Omã é um adversário que a gente já enfrentou umas três ou quatro vezes. El Salvador a gente conhece um pouco também. Eles têm uma escola sólida, um time muito bom”, avalia Lucão.

Na estreia contra El Salvador, Lucão deixou sua pegada na areia com um gol; completaram o placar Rodrigo e Thanger, de bicicleta. Heber Ramos descontou para o time adversário. A seleção foca agora na Itália, próximo oponente.

“A Itália está se renovando, com novos jogadores, e acho que eles estão fazendo um belo trabalho também. Na minha visão é uma das favoritas para o Mundial, mas espero que o Brasil chegue bem para esse segundo jogo e ganhe”, projeta o pivô.

Campeão no esporte e na vida

Aos 33 anos e com uma carreira vitoriosa, o jogador olha para trás com carinho e motivado para colocar a sua experiência a serviço da seleção brasileira, dentro e fora da quadra de areia.

“O ano de 2017 foi mágico para a seleção. Voltamos a ser campeões, ainda mais com o penta”, Lucão, pivô do Brasil.

Para alcançar o sucesso no esporte, Lucão teve que driblar muitos adversários duros na vida. Antes de se tornar jogador profissional aos 20 anos, ele trilhou caminhos tortuosos, chegando a ser atraído pela criminalidade na adolescência. Foi justamente no futebol de areia que ele encontrou uma saída.

Lucão e Rodrigo comemoram título brasileiro no Beach SoccerImagem: Lea Well/BSWW

“Minha trajetória foi difícil. Meu pai não me registrou e perdi ele com cinco ou seis anos, não me lembro muito bem. Também perdi minha mãe precocemente, aos 18 anos. Com 19, eu fazia muita besteira, tinha uma vida difícil, e onde eu morava a única oportunidade que eu via era entrar no caminho errado. Mas, graças a Deus, eu tive cabeça e mudei de vida com o beach soccer, que me proporcionou bastante coisa, me ensinou muito. Fui feliz em seguir o caminho do esporte, que me abriu várias portas e sou muito agradecido ao beach soccer”, recorda.

A vida do carioca mudou completamente quando duas lendas do futebol de areia cruzaram seu caminho nas praias do Rio de Janeiro: Júnior Negão e Benjamin, ex-jogadores da seleção brasileira.

“Quem foi meu espelho quando eu era moleque foi o Benjamin, que me deu treino quando eu era garoto e não tinha expectativa nenhuma, só ia para treinar como diversão”, relembra Lucão.

“Quando eu já tinha 19 para 20 anos, participei de um jogo em Copacabana e o Júnior Negão estava lá (como olheiro). Fiz dois gols na final, ele gostou e me chamou para jogar no Vasco. Sou muito grato a ele, pela oportunidade e pela minha vida também”, conta o jogador.

Reencontro com a Itália

O Brasil de Lucão e companhia encara a Itália neste domingo, às 12h (de Brasília), pela segunda rodada do grupo D. A partida será na Paradise Arena, em Vitória, capital de Seychelles. A torcida é para que o jogador e a seleção possam repetir os feitos dos anos anteriores e levar o hepta para casa.

“O torcedor brasileiro pode esperar que a gente chegue bem para esse Mundial, bem preparado, com a cabeça no lugar. Todos bem-dispostos para fazer o nosso melhor”, conclui o pivô.

Bruno Berger

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