O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou 23 pessoas por participação em um esquema de corrupção que operou por pelo menos quatro anos na capital paulista. Entre os denunciados estão operadores financeiros, advogados, intermediários e policiais civis, acusados de associação criminosa, corrupção ativa e passiva e fraude processual.
Segundo o MP, o grupo era ligado a uma organização de lavagem de dinheiro já investigada pela Polícia Federal e montou uma rede de propina que alcançou unidades da Polícia Civil como o Deic, o DPPC e o 16º DP. O objetivo era garantir a continuidade das atividades ilícitas. A quadrilha movimentava quantias bilionárias usando empresas de fachada, evasão de divisas e “ticketagem” com cartões de alimentação.
Para manter o esquema, policiais civis responsáveis por investigações recebiam pagamentos sistemáticos de propina desde agosto de 2020. A prática continuou mesmo após operações da PF e da Receita Federal. A denúncia aponta ainda tentativas de obstruir as apurações, com retirada de documentos e troca de dispositivos eletrônicos apreendidos para dificultar a produção de provas.
O Gaeco pediu à Justiça a manutenção das prisões preventivas já decretadas contra parte dos acusados e das medidas patrimoniais impostas na Operação Bazaar. Para os demais, solicitou proibição de deixar a comarca, restrição de contato com outros investigados, entrega de passaporte, recolhimento noturno e uso de tornozeleira eletrônica.
O Ministério Público também quer o bloqueio de até R$ 5 milhões em bens de cada policial denunciado para assegurar ressarcimento de danos e pagamento de despesas processuais em caso de condenação. O órgão sustenta que a corrupção de agentes públicos responsáveis por investigações causou prejuízo à confiança da sociedade nas instituições de segurança pública e, por isso, pediu reparação por dano moral coletivo.
A denúncia é um desdobramento de investigação do Gaeco com base em provas compartilhadas pela Polícia Federal na Operação Recidere. Novas apurações devem ser abertas para identificar outros envolvidos, incluindo mais policiais e operadores financeiros








