Minas Gerais é o segundo estado brasileiro mais afetado
O produto Interno Bruto de Minas Gerais, que é a soma de toda a renda gerada pela economia do estado, pode ter uma perda de mais de R$ 1 bilhão ao ano com a guerra tarifária entre os Estados Unidos e a China. Um estudo da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG estimou os impactos das novas tarifas de importação estabelecidas pelo presidente norte-americano Donald Trump e as contra medidas impostas pelo governo chinês na economia mineira.
De acordo com o estudo, o setor da agropecuária em Minas será o mais afetado negativamente com uma queda de 0,78% no faturamento. A agropecuária é o setor que mais gera recursos na economia mineira e as exportações para os Estados Unidos e para a China seriam diretamente afetadas, além de repercussões em outros mercados na Ásia e Europa. A indústria de transformação, outro setor importante na economia mineira e tem o mercado norte-americano e o chinês como principais destinos do aço produzido, teria uma redução de 0,28% no faturamento. A construção civil de 0,24% e o da mineração de 0,16%.
Ainda de acordo com o estudo, Minas seria o segundo estado brasileiro mais afetado, atrás apenas de São Paulo que pode sofrer uma perda de mais de R$ 4 bilhões no PIB por causa da guerra tarifária. É possível que a produção e exportação de soja no Brasil seja favorecida com o tarifaço de Trump, já que os Estados Unidos são um dos maiores produtores de grãos do planeta e com as medidas, outros mercados busquem a soja brasileira para fugir das tarifas norte-americanas.
O estudo indica ainda que toda a economia mundial sofrerá uma retração de 0,16% no PIB global, algo em torno de U$ 128 bilhões. Já o comércio global deve perder ainda mais, com 2,8% de retração, algo equivalente a U$ 590 bilhões. Curiosamente, o estudo aponta também que o país que mais pode sair perdendo com a guerra tarifária, são os próprios Estados Unidos, que pode amargar uma queda de 0,48% no PIB, cerca de U$ 93 bilhões. A China teria uma redução de 0,27% no PIB, aproximadamente U$ 33 bilhões.
Algumas das novas tarifas anunciadas por Donald Trump ainda não entraram em vigor e estão abertas a negociações diretas entre os países e por setores específicos. O governo brasileiro busca negociar tarifas para produtos e serviços estratégicos para o país como petróleo, aço, café, carne bovina e produtos químicos. Conforme dados da Câmara Americana de Comércio, entre janeiro e março deste ano as exportações do Brasil para os Estados Unidos somaram U$ 9,7 bilhões.
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