A decisão cita alto risco clínico, como necessidade de cirurgias e vulnerabilidade a infecções na prisão.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a conversão do regime fechado em prisão domiciliar para 19 condenados com mais de 60 anos por envolvimento nos atos antidemocráticos de 2022. A decisão foi assinada nesta terça-feira (28) e tem como base o estado de saúde dos réus.
Segundo Moraes, os condenados apresentam alto risco clínico, incluindo necessidade de cirurgias complexas e vulnerabilidade a infecções no ambiente prisional. O relator afirmou que a prisão domiciliar humanitária pode ser concedida mesmo após o início da execução definitiva da pena, quando comprovadas condições médicas graves.
“O Estado tem o dever de preservar a integridade física e moral dos condenados, nos termos da Constituição. A dignidade da pessoa humana deve ser assegurada durante o cumprimento da pena”, escreveu o ministro nas decisões.
Os beneficiados terão de usar tornozeleira eletrônica e estão proibidos de sair do país. Os passaportes foram suspensos. Também não poderão usar redes sociais nem manter contato com outros investigados ou condenados pelos mesmos fatos.
As visitas estão restritas a advogados, familiares diretos e pessoas previamente autorizadas pelo STF. O descumprimento das medidas pode levar ao retorno imediato ao regime fechado.
Deslocamentos por motivos de saúde precisam de autorização prévia, exceto em casos de urgência ou emergência. Nessas situações, o atendimento deve ser justificado em até 48 horas.
Moraes determinou que o juízo responsável reavalie, a cada dois meses, a necessidade de manter a prisão domiciliar. O ministro reiterou que o STF admite a medida em casos de doença grave, quando o tratamento adequado não pode ser garantido no sistema prisional.
Apesar da flexibilização do regime, segue válida a condenação ao pagamento solidário de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O valor será destinado a fundo público previsto na Lei da Ação Civil Pública (Lei 7.347/1985) e usado para financiar projetos de reparação de danos coletivos.
Confira o tempo de pena já cumprido por cada um dos 19 condenados:
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